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Despertar o melhor de cada pessoa através do autoconhecimento, da autenticidade e da conexão com sua verdadeira essência

O que a série “Uma Nova Mulher” revela sobre os padrões emocionais que aprisionam tantas mulheres

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Embora seja uma obra de ficção, a série desperta reflexões sobre temas amplamente estudados na ciência do desenvolvimento humano, dos vínculos afetivos e dos padrões emocionais

“Até que você torne o inconsciente consciente, ele dirigirá sua vida e você o chamará de destino.” — Carl Gustav Jung

A estreia da terceira temporada de Uma Nova Mulher (Netflix) reacendeu uma conversa que já vinha acontecendo desde o lançamento da série: por que ela desperta uma identificação tão profunda em tantas mulheres?

Antes mesmo de assisti-la, muitas clientes me diziam: “Ana, você precisa assistir a essa série. Ela tem tudo a ver com o seu trabalho.” Algumas comentavam que haviam chorado. Outras diziam que tiveram insights que ajudaram a compreender partes da própria história.

Quando finalmente assisti, compreendi o motivo de tanta identificação. Mais do que contar uma história envolvente, Uma Nova Mulher retrata, de maneira sensível, temas profundamente humanos: as relações familiares, as marcas vividas na infância, a influência das experiências entre gerações, os vínculos afetivos, o pertencimento, as lealdades invisíveis e a forma como tudo isso pode repercutir na vida adulta.

Embora seja uma obra de ficção, a série desperta reflexões sobre temas amplamente estudados na ciência do desenvolvimento humano, dos vínculos afetivos e dos padrões emocionais.

Quando iniciei minha atuação no desenvolvimento humano, percebi que compreender verdadeiramente uma pessoa exigia ir além do problema apresentado. Passei, então, a aprofundar meus estudos, pesquisas e formações para compreender a origem das dores emocionais e como elas poderiam ser ressignificadas. Esse caminho me levou a diferentes abordagens, entre elas a Inteligência Emocional, a Dependência Emocional, a Teoria do Apego e outros estudos sobre comportamento humano. Também fui profundamente impactada pelo meu próprio processo de ressignificação e pela reconsolidação das minhas memórias*. Essa trajetória ampliou meu entendimento sobre porque repetimos determinados padrões, mesmo quando eles nos fazem sofrer.

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Hoje sabemos, por diferentes estudos sobre desenvolvimento humano e neurociência, que boa parte das nossas respostas emocionais é construída a partir das experiências vividas ao longo da vida, especialmente na infância.

Quando falamos em memória, normalmente pensamos apenas em lembranças. Entretanto, nossa mente registra muito mais do que fatos. Ela registra emoções, sensações, cheiros, sons, ambientes, expressões e significados. Muitas vezes, um perfume, uma música ou uma frase despertam emoções intensas sem que saibamos exatamente por quê. Isso acontece porque nosso cérebro trabalha de forma associativa.

Essas associações vão formando nossos padrões emocionais. Na maioria das vezes, as pessoas não estão repetindo exatamente os mesmos acontecimentos. Elas estão repetindo a maneira como sentem, interpretam, acessam e respondem às situações da vida.

Imagine uma pessoa que muda de emprego diversas vezes. As empresas são diferentes, mas ela sempre sente que não é valorizada. Ou alguém que vive relacionamentos distintos e termina todos com a mesma sensação de humilhação. O que se repete nem sempre é o fato em si, mas a forma de percebê-lo, atribuir significado a ele e reagir emocionalmente.

Quando compreendemos como determinados padrões foram construídos, deixamos de enxergar apenas o problema e começamos a compreender sua origem. Essa consciência amplia nossa capacidade de fazer escolhas diferentes.

É justamente nesse ponto que muitas situações de dependência emocional começam a fazer sentido. Ela pode ser consequência de uma história marcada pela necessidade de aprovação, pelo medo da rejeição, pela dificuldade de estabelecer limites ou pela crença de que o próprio valor depende do olhar do outro.

Por outro lado, os padrões emocionais podem ser reconhecidos, compreendidos e transformados. Essa talvez seja uma das maiores contribuições do desenvolvimento humano: mostrar que não somos prisioneiros da nossa história.

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Talvez essa seja a principal contribuição que Uma Nova Mulher oferece ao público. A série desperta perguntas: O que, na minha história, continua se repetindo? Quais experiências ajudaram a construir a maneira como me relaciono comigo mesma e com os outros? Existe alguma dor, trauma ou ferida emocional que ainda influencia minhas escolhas?

Responder a essas perguntas não muda o passado. O que muda é a maneira como compreendemos os acontecimentos vividos. Ao ressignificar essas experiências, diminuímos o peso emocional que elas exercem sobre nós. Isso transforma a forma como vivemos o presente e amplia a possibilidade de construir um futuro mais consciente, livre e saudável.

Porque a verdadeira liberdade emocional começa quando deixamos de viver no piloto automático e assumimos, com consciência, a autoria da nossa própria história.

Se este artigo despertou reflexões importantes, talvez este seja o momento de olhar para a sua história com mais profundidade.

Se desejar iniciar uma jornada de autoconhecimento, ressignificação e liberdade emocional, estarei à sua disposição para caminhar com você, respeitando a sua história, o seu tempo e a mulher que você deseja se tornar.

*Reconsolidação das memórias: processo pelo qual uma memória, ao ser reativada em um contexto seguro e acompanhada de novas experiências emocionais, pode ser atualizada, atribuindo novos significados ao acontecimento sem apagar o fato vivido.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Kekligian atua há quase uma década na área de desenvolvimento humano, ajudando mulheres a fortalecerem autoestima, autoconfiança e inteligência emocional através de uma abordagem voltada ao comportamento humano, vínculos afetivos e desenvolvimento pessoal. Educadora da Autoestima e da Autoconfiança, especialista em Inteligência Emocional e Dependência Emocional.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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