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O dia em que parei de tentar dar conta de tudo

Reprodução | Instagram

Da sobrecarga e ansiedade à descoberta da autopriorização

Por Márcia Miari

Eu estava em tudo, menos em mim: até decidir mudar.

Meados de 2024 foi o ápice de tudo.

Encontrava-me mergulhada em questões do trabalho, estudos, voluntariado e cuidados de saúde de familiares que chegavam a mim em quantidade cada vez maior. E eu, dizendo sim a todos, tentando dar conta de tudo simultaneamente – e sempre de modo “exemplar”. Ou seja, sem abrir mão de nada, atendendo ao pedido de todos e impondo-me o dever de acertar sempre.

Afinal, por que precisava agir desse modo? Por que buscava tanto a aprovação dos outros?

Eu definitivamente precisava parar de depender tanto da opinião alheia. Precisava abrir mão da necessidade de agradar a todos e de dizer sim por insegurança. A ansiedade – já bastante visível para os olhares dos outros – ganhava contornos de tristeza dentro de mim.

O dia em que decidi mudar

Quando me percebi sem saber priorizar, precisei reverificar a maneira como estava me posicionando diante dos fatos, das crises, oportunidades e pessoas, em dias, que passavam rapidamente sobre minha estória pessoal.

O dia que “tomei consciência” foi em meio a uma semana intensamente atarefada, percebendo-me ansiosa e sem conseguir concluir ou decidir coisas cotidianas. Entendi, como num lapso de inspiração, que eu não estava prestando atenção às coisas que realmente importavam e que se continuasse dessa maneira eu perderia o “prumo”.

Nesse dia, percebi meus pensamentos confusos e passei a dar atenção a cada um deles, buscando compreender como estavam, percebendo os sentimentos e por consequência, minhas energias e ações. Compreendi que estava distante de mim mesma mais uma vez.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Aplicação técnica

Lembrei de uma técnica da Conscienciologia, proposta pelo pesquisador Waldo Vieira e descrita no livro Autocura Através da Reconciliação pela autora e pesquisadora Málu Balona: a técnica da madrugada.

No livro, a autora descreve a técnica como: “um método de autorreflexão no silêncio da madrugada para tomada de decisões críticas, registrando inspirações e analisando prós e contras. Consiste em acordar no silêncio da madrugada, após o primeiro sono, para refletir profundamente ou estudar, focando em objetivos pessoais de vida”.

Nessa semana, em algumas madrugadas, apliquei a técnica e coletei algumas reflexões que naqueles momentos de calmaria vinham a mente, sem questionar num primeiro momento. Depois passei à reflexão dos tópicos que necessitavam de reorganização. Conclui que realmente precisava, com urgência, modificar a minha forma de reagir às demandas do dia a dia e aprender a lidar com o sentimento de impotência e incompetência que passou a fazer parte dos meus pensamentos e sentimentos sobre mim mesma.

Eu existo!

Em meio a tudo isso, descobri que eu também existia e precisava ser autora ativa das minhas decisões, responsabilizando de fato pelo que me dizia respeito, e encaminhando o que não era apenas para mim mesma. Comecei a resgatar o motivo que tinha trazido-me até a Conscienciologia e a própria Psicologia e retomei a sensação de existência, de sentido de vida. Sempre busquei minha essência, “quem sou e para onde vou”, perguntas existenciais que tantos de nós fazemos, mas nem todos vão a fundo para chegar a respostas ou indícios.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Aí então, para tudo!

E então precisei parar: para respirar, para perceber e entender o sentido das coisas, compreender que poderia concluir tudo desde que tivesse um limite para eu mesma diante do que os outros esperam de mim e das expectativas que tenho sobre as coisas, situações e pessoas.

A partir de uma reverificação realística dos fatos e emoções, comecei a recalcular e reorganizar minha rotina. Quanto mais fazia isso mais calma sentia, mesmo ainda tendo várias situações a resolver. Essa reverificação foi anotada e refletida em caderno, possibilitando-me enxergar melhor meu contexto existencial, o “raio X” do momento.

Ainda estou nesse processo e admito tem sido libertador, apesar de às vezes ainda me sentir cansada e ansiosa. Entendi que o tempo é soberano dos resultados, que preciso entrar no fluxo das possibilidades e que a autopriorização é prioritária.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Márcia Miari é psicóloga, pós-graduanda em Neuropsicologia. Atua em psicologia clínica, orientação de carreira para jovens e psicodiagnóstico. Pesquisadora da consciência, dedica-se ao estudo da Priorizacao Evolutiva e Sentido de Vida.

Colaboração da pauta:

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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