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Psicóloga Clínica e especialista em sexualidade humana

Por que os casais ainda têm tanta dificuldade em falar sobre sexo?

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Na terapia de casal, as queixas sexuais costumam vir disfarçadas de problemas de comunicação; entender o peso dos tabus é o primeiro passo para resgatar a conexão

Receber parceiros em psicoterapia exige muita sensibilidade e habilidade clínica. Geralmente, os casais chegam ao consultório com demandas que não conseguiram resolver sozinhos — conteúdos e conflitos muitas vezes armazenados por anos, sem que nenhuma das partes tenha tomado a iniciativa de romper o ciclo.

São inúmeros os fatores que levam os parceiros a buscarem ajuda, mas um deles se destaca pelo silêncio: a sexualidade. Ainda existem muitos tabus quando o assunto gira em torno do sexo. É raro encontrar casais que conversem abertamente sobre o tema. Fala-se sobre finanças, férias escolares, criação dos filhos e política, mas a vida íntima raramente é abordada com naturalidade.

É importante lembrar que essas barreiras não surgem por acaso. É preciso levar em consideração o repertório e o histórico de cada parceiro. Quanto mais rígida e repressiva tiver sido a educação de uma pessoa, maior será sua dificuldade em tratar do assunto na vida adulta — lembrando que são poucas as pessoas que de fato receberam uma educação sexual saudável durante o seu desenvolvimento.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

No consultório — seja no formato presencial ou online —, as principais queixas iniciais envolvem a busca por melhorar a comunicação, resolver conflitos constantes, superar quebras de confiança (como traições) ou lidar com mudanças drásticas na rotina que abalam a estabilidade do casal.

O que mais se observa na prática clínica é a falha na comunicação alimentada pela instabilidade emocional. Quando os parceiros não conseguem expressar o que sentem sem gerar discussões, os conflitos escalam rapidamente. O diálogo torna-se improdutivo, gerando mágoas acumuladas e acusações mútuas.

Curiosamente, na maioria das vezes, o casal não traz a questão da sexualidade logo na primeira sessão. No entanto, à medida que o processo terapêutico avança e o ambiente se torna seguro, surgem as queixas sexuais que até então pareciam inexistentes.

Quando essas demandas aparecem, nosso papel é propor modificações no repertório do casal para favorecer a resposta sexual. Contudo, para gerar essa mudança de comportamento, é fundamental promover, antes, as condições cognitivas, situacionais e emocionais adequadas.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Qualquer modelo de relacionamento que enfrente dificuldades na convivência pode — e deve — buscar ajuda profissional, independentemente da faixa etária ou do gênero. O distanciamento afetivo, a falta de intimidade e a ausência de uma comunicação assertiva são os principais sinais de alerta de que é o momento de recorrer a um especialista.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Maria do Carmo Ferreira é Psicóloga Clínica e especialista em sexualidade humana. Possui sólida carreira com mais 25 anos de experiência na área clínica e apresenta o programa Intimidade & Gestão na teverelacionamento.com.br
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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