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A libertação dos acordes para encantar multidões

Divulgação

Conheça a trajetória emocionante de uma jovem violinista que resgatou o amor pela música através da conexão com o público

Por Paulo Maia

O Portal Dolce Morumbi, por meio da galeria “Estrelas da Dolce”, continua a desbravar as trajetórias mais fascinantes e autênticas do cenário digital. Para quem assiste a uma transmissão ao vivo e se deixa embalar pela sensibilidade de um violino, raramente imagina as renúncias, os silêncios e a coragem necessários para que aquele som ganhasse asas. A história de hoje nos leva à Praia Grande, no litoral de São Paulo, para conhecer Larissa Hessel Machado — a Lari Hessel (ou Lari Violino, como milhares de seguidores a conhecem no TikTok).

Aos 27 anos, Lari é o retrato de uma geração de artistas que entendeu que a perfeição técnica não vale nada se, no processo, o coração deixar de vibrar.

O despertar tardio e o encanto por Pachelbel

A relação de Lari com a música não foi uma herança linear. Embora haja relatos de que sua tataravó tocava sanfona, o talento pulou gerações até despertar nela e em sua irmã mais velha. Criadas pela mãe, as irmãs tiveram o primeiro contato com as cordas por volta dos 10 anos, quando o então padrasto, Marcus, despertou nelas a curiosidade pelo violão. A mãe, sempre apoiadora, comprou os instrumentos, mas o interesse esfriou e os violões ficaram guardados por quase um ano.

O estalo definitivo veio um tempo depois, impulsionado por um misto de ciúmes e curiosidade quando uma prima decidiu aprender a tocar. Lari resolveu que também aprenderia. Aos 12 anos, ela ingressou em aulas oficiais de violão em um centro religioso perto de casa.

Contudo, o instrumento que mudaria sua vida para sempre ainda estava por vir. Durante um ensaio de uma camerata musical para a qual foi convidada, Lari viu e ouviu um violino bem de perto pela primeira vez. A execução de uma peça do compositor Johann Pachelbel a deixou completamente hipnotizada. Encantada com a beleza plástica e a imponência daquelas notas, Lari procurou os professores da escola e, aos 13 anos, migrou em definitivo para o violino. Nascia ali uma paixão avassaladora.

O casulo do Projeto Guri e o lado sombrio do meio erudito

Obstinada a crescer na música, Lari e sua mãe descobriram o Projeto Guri em São Paulo, um divisor de águas em sua formação. Lá, sob a mentoria do professor Leonardo — a quem recorda carinhosamente como um “pai musical” —, ela experimentou a grandiosidade de tocar em orquestras de cordas e sinfônicas, lidando com maestros do mundo inteiro. O ambiente vibrante a estimulou a ir além: concluiu a Licenciatura em Música na FMU e ingressou na prestigiada Escola Municipal de Música de São Paulo.

No entanto, o universo erudito guarda cobranças que muitas vezes pesam mais do que a própria arte. Conforme avançava no conservatório, onde estudou por mais de cinco anos, e após vivenciar uma dolorosa reprovação em uma bolsa de estudos na Orquestra Jovem de Guarulhos, Lari começou a questionar o ambiente em que estava inserida. A pressão estética, as relações hierárquicas rígidas e o clima por vezes autoritário e abusivo — marcado por cobranças desproporcionais e gritos em salas de aula — começaram a adoecer seu espírito criativo.

O golpe de misericórdia veio durante a pandemia, com o falecimento traumático de seu avô exatamente no horário de uma de suas aulas de violino online. Tomada pela ansiedade, Lari passou a tremer ao segurar o instrumento. A música, que antes era seu refúgio, havia se transformado em sinônimo de dor. Em um ato de autopreservação, ela guardou o violino no case e não o tocou por seis longos meses, buscando refúgio em outras áreas profissionais.

A aposta no TikTok: o renascimento na cozinha de casa

O silêncio foi quebrado pelo conselho providencial de um amigo, que sugeriu que ela começasse a postar vídeos no TikTok. Vencendo a timidez e o receio do julgamento, Lari aceitou o desafio de publicar um vídeo por dia. O compromisso diário a obrigou a tirar o violino do armário e, nota por nota, o prazer de tocar começou a ressurgir.

Em agosto de 2023, Lari deu o passo definitivo ao iniciar suas transmissões ao vivo. Longe das partituras imutáveis e da vigilância severa das orquestras tradicionais, ela descobriu na plataforma a liberdade de construir o seu próprio repertório. Trocou a erudição clássica pelos estilos que faziam seus olhos brilharem: o rock, o pop e os flashbacks nostálgicos.

A resposta do público foi um verdadeiro abraço na alma. Diante das telas, Lari percebeu que as pessoas não estavam ali para julgar uma falha milimétrica de afinação, mas para se conectar com a emoção genuína que ela transmitia. O impacto comercial e artístico foi avassalador: após seis meses fazendo lives, houve um dia (muito especial) em que Lari alcançou resultados financeiros e de visibilidade que levaria um mês inteiro para conquistar na orquestra jovem.

Liberdade, família e o idioma universal da emoção

Atualmente, Lari Hessel colhe os frutos de ter tido a coragem de recalcular a rota. Sua comunidade no TikTok transborda um carinho puro que ultrapassa a música, estendendo-se à sua mãe — que frequentemente participa de seus vídeos de rotina e comédia — e até mesmo aos seus gatos de estimação.

Focada na interpretação e sem fechar as portas para futuras composições autorais, a jovem violinista entende hoje que não ter se encaixado nos moldes rígidos do passado não significava falta de amor pela arte, mas sim que o seu palco era muito maior do que o fosso de um teatro tradicional.

Ao conectar corações de diferentes culturas e lugares através das vibrações de suas cordas, Lari Hessel prova na galeria Estrelas da Dolce que a música é, de fato, a linguagem universal da alma — e que o futuro pertence àqueles que têm a ousadia de tocar a própria vida no tom da liberdade.

Acompanhe Lari Hessel

TikTok: @lari.violino

Instagram: @lari.violino

Paulo Maia é publicitário formado em Comunicação Social, editor do Portal Dolce Morumbi®, atua há mais de 30 anos como profissional de comunicação e marketing.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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