Era uma vez…

Paulo Maia

Dedico este artigo para Giovanna Lutfi, minha eterna “pulguinha”, que adorava as histórias do Coelho, do Macaco e das Criaturas da Floresta!

Uma das coisas que nos faz humanos é a curiosidade. E, com ela, o gosto por histórias. E assim, a cultura forja narrativas que definem ou reciclam a história humana constantemente. Afinal, é uma boa história que põe tudo no lugar e traz sentido à vida e ao mundo. Uma boa narrativa nos leva a entender o que aconteceu, o que está acontecendo e ainda o que está por vir. O desfecho dela indica o que nos educa, nos indigna, nos alivia ou nos tranquiliza. Falamos sobre nós para podermos nos decifrar. Para que o que sentimos e pensamos e, sobretudo, o que fazemos, faça sentido.

Assim como os clássicos adultos, os contos de fadas, fábulas ou simplesmente histórias infantis busca apresentar a vida como ela funciona para quem começa a ser apresentado ao mundo para além de sua morada: as crianças. E sendo atemporais, falam da universalidade da natureza humana apresentando finais para moldar a civilização, em uma certa medida, dentro de uma moral na qual deveria se espelhar.

Imagem por Simon Berger

Os germânicos irmãos Grimm e o dinamarquês Hans Christian Andersen, foram os principais, entre outros, que formataram o imaginário da humanidade com suas histórias que encantam e, certamente, irão encantar e educar milhares de crianças que tiverem a fortuna de aprenderem a ler e se depararem com seus contos. De “Chapeuzinho Vermelho” e “Cinderela” à “Rapunzel”, passando por “O Patinho Feio”, “A Pequena Sereia”, “A Rainha da Neve” e “A Polegarzinha”; “Hensel e Gretel” (nosso João e Maria, no português), “O Soldadinho de Chumbo” e o meu conto preferido, “A Roupa Nova do Rei”. Cada um deles nos traz, um universo, uma humanidade, afetos e lições!

Imagem por Marko Blažević

Quando se é adulto e se tem a oportunidade de contar história para crianças, a experiência é, não apenas gratificante e divertida, mas tocante e profunda, pois aqueles ouvidos atentos levando para a imaginação o que apreendem de nós, de forma tão vívida para eles que quase conseguimos ver o que está em suas cabecinhas, apenas ao observarmos seus olhos vidrados em nossa narrativa. Seus rostos não mentem e nos dizem se a história faz sucesso. Pontos de interrogação e de exclamação saltam de suas faces e gestos. Suas observações e preocupações quanto ao destino dos personagens e desfecho da história são surpreendentes e nos lembram de lições que esquecemos quando nos tornamos “gente grande”.

Ouvir histórias é o nosso primeiro contato com a cultura. Escutá-las, principalmente de nossos pais e avós, deveria ser sempre o début de toda criança. Depois, claro ainda na infância, é fundamental o contato com os contos através da leitura. Pois é nesta fase que você decanta cada palavra em seu imaginário, caracterizando um mosaico para a descoberta do mundo, por si mesmo.

Imagem por Birmingham Museums
Cederic X

Quando se perguntar porque você gosta deste ou daquele filme ou livro, lembre-se do contato que teve com suas primeiras narrativas. Elas certamente delinearam as fronteiras de sua imaginação. Ou seja: quanto mais histórias e dos mais diversos temas você possa ter sido exposto na infância, mais recursos subjetivos você terá desenvolvido para poder lidar, no presente, de forma concreta, com a realidade crua e insensível que lhe surge a todo momento.

Procure um tempo esquecendo a desculpa da falta dele, para ler para uma criança ou mesmo para você! Escolha um conto, uma fábula, uma história infantil e encontre nela toda a fantasia, o drama e o heroísmo que sua alma tenta, desesperadamente, recuperar para lhe ajudar a viver nos dias turbulentos do presente.

Paulo Maia é publicitário, um pensador livre e morador do Morumbi que mantém sua curiosidade sempre aguçada

Imagem destacada da Publicação: Designed by Freepik

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