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A nova NR - 1 e o futuro do trabalho

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Ignorar essa norma pode custar caro às empresas e à saúde emocional dos seus times

Entrou em vigor recentemente a atualização da NR - 1, Norma Regulamentadora que estabelece as diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A grande novidade? Pela primeira vez, os riscos psicossociais — como estresse crônico, burnout, assédio, insegurança emocional e sobrecarga — passaram a ser oficialmente reconhecidos como riscos ocupacionais.

Na prática, a fiscalização focada nesses aspectos terá início em maio de 2026, quando se espera que as empresas já estejam com seus processos e documentações ajustados, conforme determina a norma. Os auditores fiscais do trabalho estão orientados a verificar se os riscos psicossociais estão devidamente mapeados e registrados nos documentos obrigatórios.

Mais do que uma norma técnica, a NR - 1 representa uma virada de chave na forma como o ambiente de trabalho é compreendido. Em um mercado onde a saúde mental se tornou pauta global e a performance está diretamente ligada ao bem-estar emocional, cuidar de pessoas deixou de ser um diferencial — e passou a ser uma exigência estratégica e legal.

Design Dolce sob imagem por Studio Roman em Canva

Para entender o impacto dessa mudança e como as empresas podem (e devem) se preparar, conversamos com Ana Kekligian, estrategista da atualização da NR‑1 e referência nacional em desenvolvimento de pessoas. Ana Kekligian também é colunista da Dolce Morumbi®.

Confira a entrevista exclusiva:

Você que acompanha de perto as mudanças nas empresas, o que está acontecendo com o mundo do trabalho?

Estamos vivendo uma mudança silenciosa, mas muito profunda. O Future of Jobs Report 2025, do World Economic Fórum, revela que quase metade das competências dos profissionais vai mudar até 2030. E mais de 60% das pessoas no mercado precisarão aprender novas habilidades em três anos.

Isso é gigantesco. As empresas que antes se organizavam para entregar metas, agora precisam mais do que nunca se organizar também para formar pessoas. E quem quer crescer profissionalmente precisa aprender a lidar com as transformações com mais leveza e consciência emocional. Não é só sobre saber fazer, é sobre saber se relacionar e evoluir.

Muita gente ainda não sabe exatamente o que é a NR1. Pode explicar de forma simples?

Claro! A NR - 1 é uma norma do Ministério do Trabalho que define como as empresas devem cuidar dos riscos que podem afetar a saúde dos trabalhadores. E aqui entra um ponto importante: desde 2024, ela passou a incluir os riscos psicossociais. Isso significa que estresse, burnout, sobrecarga, insegurança emocional e outras questões oriundas do ambiente oferecido também precisam ser identificadas, avaliadas e tratadas pelas empresas.

Ou seja: cuidar do ambiente para não afetar a saúde emocional dos colaboradores deixou de ser um diferencial. Agora, é uma obrigação legal. E mais do que isso, é uma oportunidade de criar ambientes mais humanos e sustentáveis.

Quais são as habilidades que vão realmente importar daqui para a frente?

Sabe aquelas coisas que nunca vão poder ser substituídas por uma máquina? Pois é. Elas estão cada vez mais valiosas: empatia, pensamento crítico, comunicação clara, colaboração, gestão emocional, entre outras.

A gente costumava chamar de “soft skills”, mas hoje elas são tudo, menos secundárias.  São habilidades essenciais para quem quer liderar, se adaptar e construir relações de confiança. São essas competências que vão separar quem acompanha a mudança de quem lidera essa mudança.

Design Dolce sob imagem por vgajic em Canva

E os líderes, o que eles precisam fazer para acompanhar esse novo ritmo do mercado?

O primeiro passo é entender que liderar não é mais só bater meta. Liderança hoje tem tudo a ver com gente, com relação, com criar espaços seguros e saudáveis para que as pessoas possam crescer, aprender e contribuir de verdade.

Isso significa parar de delegar o desenvolvimento humano só para o RH e começar a fazer parte disso ativamente. Os bons líderes estão criando planos de desenvolvimento para seus times, dando feedbacks de verdade, ouvindo na essência, cuidando do clima e agindo com intencionalidade. Eles sabem que um time emocionalmente seguro entrega muito mais resultado.

E quem não lidera? O que o profissional pode fazer para se manter relevante?

Quem quer crescer precisa assumir o protagonismo da própria trajetória. Isso começa com autoconhecimento: entender seus pontos fortes, o que precisa melhorar, e buscar desenvolvimento constante.

Mas não é só estudar, é aprender a lidar com pressão, saber trabalhar em equipe, se comunicar com clareza e ter a humildade de aprender todo dia. Quem faz isso, mesmo sem cargo de liderança, já está um passo à frente.

Muita gente ainda vê a NR1 como uma exigência burocrática. Ela pode ser algo mais?

Com certeza! A NR - 1 pode ser uma aliada estratégica incrível. Quando bem aplicada, ela ajuda a empresa a construir uma cultura mais saudável, a reduzir afastamentos, melhorar a produtividade e reter talentos. Sem falar que protege a organização de riscos legais.

Ela estimula o diálogo, a escuta, a participação dos colaboradores. E tudo isso gera engajamento. As empresas que entenderem isso e aplicarem de forma inteligente vão se destacar — porque gente bem cuidada entrega muito mais.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

E para os empresários que ainda estão resistentes? Que acham que a NR‑1 é “só mais uma norma” ou que estão protegidos pelos seus advogados?

Essa é uma pergunta importante, Paulo, porque muitos ainda enxergam a NR‑1 como uma burocracia ou que não vai pegar — quando, na verdade, ela é uma lei e pode ser o grande diferencial competitivo de uma empresa.

A lógica de “depois a gente resolve com o jurídico” é cada vez mais arriscada. Primeiro, porque os passivos trabalhistas ligados à saúde mental estão crescendo — e são difíceis de rebater sem provas de que a empresa fez sua parte. Segundo, porque o mercado está mudando: fornecedores, clientes e talentos estão olhando cada vez mais para a reputação emocional das empresas.

Seguros e advogados são importantes, mas não blindam cultura organizacional. E hoje, é a cultura que atrai, retém e engaja pessoas. A NR‑1 não veio para travar os negócios — ela veio para proteger aquilo que mais gera resultado: as pessoas. Empresários que entendem isso saem na frente. Os que resistem, infelizmente, vão sentir no bolso e na imagem.

Como funcionará a fiscalização e quais os prejuízos reais que uma empresa pode ter?

Ignorar a NR‑1 não é apenas arriscado — é um caminho certo para prejuízos. A partir de maio a fiscalização será feita pelo Ministério do Trabalho, por meio da inspeção do trabalho. Os auditores têm autoridade para exigir documentos, visitar o ambiente de trabalho, ouvir colaboradores e verificar se o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais está sendo feito corretamente — inclusive no que diz respeito aos riscos psicossociais.

Se a empresa não estiverem em conformidade, pode ser autuada, multada e até interditada em casos mais graves. E os prejuízos não param por aí: processos trabalhistas, afastamentos por adoecimento emocional, aumento no custo do plano de saúde, perda de contratos com grandes empresas (que exigem conformidade legal da cadeia) e danos à reputação podem custar muito mais do que qualquer investimento em prevenção.

Em resumo: a NR‑1 será fiscalizada e terá canal de denúncia — e deixar para correr atrás “quando der problema” sai muito mais caro.

Imagem de tonodiaz no Freepik

Diante de tudo isso, o que as empresas podem — e devem — fazer agora para se preparar de forma inteligente?

O primeiro passo é parar de tratar a NR‑1 como um problema do jurídico ou do RH. Essa é uma pauta estratégica que precisa ser discutida na liderança.

As empresas precisam construir um Inventário de Riscos Ocupacionais que inclua os riscos psicossociais, elaborar um Plano de Ação coerente com a realidade do negócio, e promover capacitações e escutas reais com as equipes. Isso vai muito além de preencher planilhas — é sobre conhecer o clima, ouvir os colaboradores, mapear pontos de tensão e agir antes que o problema estoure.

E o mais importante: contar com um gestor ou estrategista especializado na atualização da NR‑1 pode fazer toda a diferença. Esse profissional ajuda a conduzir um diagnóstico de risco eficaz, conecta a norma com a cultura da empresa e transforma exigência legal em vantagem competitiva.

Empresas que fazem isso não apenas evitam problemas — elas constroem ambientes emocionalmente sustentáveis e preparados para o futuro.

E quem quer fazer isso da forma certa? Como você pode ajudar empresas que desejam se adequar à NR‑1 com estratégia e segurança?

Ajudar empresas a transformar a NR‑1 em uma alavanca de desenvolvimento humano e vantagem competitiva é exatamente o que eu faço. Sou estrategista na atualização da norma, com formação especializada, sólida vivência corporativa e uma metodologia comprovada, baseada em evidências e boas práticas.

Minha atuação começa com um trabalho de conscientização e depois diagnóstico de risco psicossocial cientificamente validado, que garante a integridade técnica, a confidencialidade dos dados e a neutralidade necessária para que a liderança possa tomar decisões com clareza. A partir disso, desenhamos um plano estratégico — que respeita as exigências legais e os desafios reais do negócio.

Não é uma abordagem genérica nem burocrática. É estruturada, humanizada e adaptada. Não é fácil — mas pode ser simples, quando se tem clareza, método e compromisso. E é exatamente isso que eu entrego.

Não sou auditora, sou parceira estratégica das empresas.

Para encerrar, qual mensagem você deixaria para quem quer prosperar nesse novo ciclo do trabalho?

Minha mensagem é simples: o futuro do trabalho já começou, e ele exige coragem, consciência e disposição para evoluir.

Quem olha para o desenvolvimento humano com seriedade cria vantagem competitiva. A NR - 1 mostra o caminho, a inteligência emocional sustenta a jornada, e a liderança consciente transforma tudo isso em cultura e resultado.

Para quem quiser fazer parte dessa nova realidade, podemos conversar. Esse é o meu trabalho: ajudar empresas e líderes a atravessarem essa mudança com mais lucidez e impacto.

Ana Kekligian é estrategista da atualização da NR1, atua no desenvolvimento humano há dez anos, master analista comportamental, especialista em produtividade e educadora da autoestima e de autoconfiança.

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Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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