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Por que esperamos tanto para perdoar?

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Reconciliar-se é trilhar um caminho libertador

Por Gotardo Brandalise

Você já esteve diante de alguém com quem tinha a oportunidade de praticar o perdão e a reconciliação, mas não o fez? Existe alguém com quem ainda precisa se reconciliar?

Reconciliar-se é trilhar um caminho libertador.

É uma jornada desafiadora, mas profundamente transformadora, capaz de promover paz íntima, maturidade e crescimento. Porque, no fim das contas, evoluir também significa aprender a reconstruir pontes onde antes existiam muros.

A conscienciologia ampliou minha compreensão da existência por meio do chamado paradigma consciencial, uma abordagem científica que considera a consciência como algo que transcende o corpo físico e continua seu processo de evolução ao longo de múltiplas vidas.

Na minha infância, por volta dos 12 anos, vivi uma experiência que me colocou diante dessa realidade. Na época, eu não tinha maturidade para compreender o que aconteceria, mas aquele episódio marcaria minha vida e seria seguido por outras experiências semelhantes ao longo dos anos.

Passei parte da infância longe dos meus pais, morando com meus avós. Certo dia, minha avó sugeriu que visitássemos minha mãe, que estava grávida de sete meses de um menino.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Chegamos à casa da família paterna em um sábado, próximo ao meio-dia. No domingo, um imprevisto fez com que minha mãe fosse levada às pressas para o hospital. No final da tarde, recebemos a notícia do médico, de que ela havia nos deixado. Ela e o bebê.

Naquele momento, eu não tinha maturidade para compreender a dimensão do que estava acontecendo. O trauma me acompanhou por muitos anos.

Somente muito tempo depois consegui superar aquele trauma e extrair aprendizados da experiência. Entre eles, uma reflexão que me acompanha até hoje: a vida física pode ser imprevisível.

Foi justamente dessa constatação que surgiu uma pergunta que passou a me acompanhar ao longo da vida: estamos aproveitando as oportunidades que temos para perdoar, pedir perdão e nos reconciliar?

Segundo os estudos da conscienciologia, a consciência é eterna, sendo a morte biológica apenas o descarte do corpo físico (soma), daí o termo dessoma (“des+soma”), utilizado para designar a saída definitiva da consciência do corpo físico.

Conflitos familiares

Justamente quando mais precisávamos de apaziguamento, vivenciei conflitos relacionados a heranças, ressentimentos e divergências de interesses

O desafio consistiu em lidar com imaturidades, interpretações distorcidas e provocações sem abrir mão da integridade pessoal. Procurei manter uma postura ética, priorizando a assistência, o equilíbrio e o respeito mútuo.

Isso só foi possível por meio do diálogo aberto, sem buscar vantagens pessoais e, muitas vezes, abrindo mão de questões materiais para restabelecer a harmonia das relações.

Um objetivo importante passou a orientar minhas escolhas: buscar a reconciliação enquanto ainda estamos convivendo nesta vida física. Resolver conflitos pendentes e reduzir ressentimentos pode evitar que desentendimentos se prolonguem, gerando sofrimentos e vínculos negativos difíceis de superar.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Com o tempo, percebi que a transformação das relações familiares exige também uma transformação íntima. A mudança começa dentro de nós.

Essa experiência, aliada à visão da conscienciologia, que considera a multidimensionalidade e a influência dos pensamentos, me ajudou a compreender melhor como esses, além de sentimentos e energias, influenciavam minhas relações.

Foi fácil?

De forma alguma.

A mudança exige enfrentar hábitos arraigados, crenças limitantes e padrões que a própria sociedade reforça diariamente.

Ainda assim, acredito que o esforço vale a pena.

Por isso, algumas perguntas continuam sendo importantes:

  • Já estive diante de alguém com quem tinha a oportunidade de praticar o perdão e a reconciliação?
  • Com quem ainda preciso me reconciliar?
  • Se hoje fosse meu último dia nesta vida, quais sentimentos eu levaria comigo em relação às pessoas que fizeram parte da minha trajetória?

Independentemente das crenças de cada um, a evolução pessoal depende da responsabilidade que assumimos por nossas escolhas, aprendizados e mudanças.

Ninguém pode realizar esse trabalho por nós.

Reconciliar-se é um caminho libertador. Uma jornada que exige coragem, humildade e maturidade, mas que pode gerar profunda paz íntima. Porque, no fim das contas, evoluir também significa aprender a reconstruir pontes onde antes existiam muros.


Gotardo Luiz Brandalise é natural de Caxias do Sul, RS e reside hoje em Jundiai, SP. É graduado e pós-graduado em Administração de Empresas, atua atualmente como corretor de imóveis, produz trabalhos para o Colégio Invisível da conscienciologia e para a LIDERARE.

Instagram: @gobrandalise | LinkedIn: Gotardo Luiz Brandalise

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

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