Skip to content
Despertar o melhor de cada pessoa através do autoconhecimento, da autenticidade e da conexão com sua verdadeira essência

O preço de amar demais

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Por que tantas mulheres se perdem de si dentro dos relacionamentos

Quem se esquece de quem é pode se tornar qualquer pessoa.”
Pr. Julio Rostirola

Por um silêncio aqui, por uma concessão ali, por uma frase engolida para não gerar conflito, por um limite que deixa de existir para preservar um vínculo. E quando percebemos, já não ocupamos mais espaço — nem dentro da nossa própria vida.

Esse processo é mais comum do que muitas mulheres imaginam. Trata-se de algo profundo, que atravessa a história do feminino e a forma individual como aprendemos a amar, pertencer e nos vincular.

O risco de amar demais o outro está em amar sem sustentação interna. Quando isso acontece, a mulher começa a se moldar para ser aceita. Ajusta comportamentos, relativiza desconfortos, diminui necessidades. Não porque não percebe, mas porque aprendeu — desde cedo — que precisava caber e suportar para ser aceita.

É importante dizer: isso não está necessariamente associado a fragilidade ou submissão. Pode acontecer com qualquer mulher que, em algum momento da vida, se descuidou de si — por medo, cansaço, desesperança, excesso de responsabilidade ou até por questões de saúde física e emocional.

Nesse terreno surgem as chamadas traições emocionais disfarçadas. Nem sempre existe outra pessoa envolvida. Muitas vezes, a ferida vem da indiferença, do silêncio recorrente, da desqualificação emocional, da ausência de escuta, da manipulação sutil ou da invalidação constante dos sentimentos. São experiências que não deixam marcas visíveis, mas corroem lentamente a identidade.

É o tipo de relação em que a mulher começa a falar sozinha. Divide seu dia, o cansaço, as emoções — e encontra pouco ou nenhuma conexão do outro lado. A presença física permanece, mas a presença emocional desaparece. E, pouco a pouco, ela vai se tornando invisível dentro da própria relação.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Sinais de um relacionamento sem reciprocidade — e com risco de adoecimento

Alguns sinais merecem atenção, especialmente quando se repetem e se intensificam ao longo do tempo:

  • você se adapta constantemente, enquanto o outro pouco se movimenta
  • suas necessidades emocionais são minimizadas ou ignoradas
  • você sente que precisa “medir palavras” para não gerar desconforto
  • parece “pisar em ovos” para pedir alguma coisa. E sente culpa por pedir o mínimo
  • conversas importantes são evitadas, interrompidas ou desvalorizadas
  • sua dor é banalizada
  • não sente sua importância
  • ausência de reconhecimento pelo que faz
  • abre mão dos seus desejos para evitar conflitos
  • sua energia vital diminui, mas a relação permanece igual

Essas dinâmicas não precisam ser explícitas para adoecer. Muitas vezes, o adoecimento é silencioso, interno, acumulativo.

A psicologia ajuda a compreender por que tantas mulheres permanecem nesse lugar. A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e aprofundada por Mary Ainsworth, mostra que os vínculos formados na infância influenciam diretamente a maneira como nos relacionamos na vida adulta. Mulheres com histórico de apego ansioso, por exemplo, tendem a temer o abandono, confundir amor com esforço constante, silenciar necessidades e se adaptar excessivamente para manter o vínculo.

Esse padrão não escolhe classe social, idade, nível cultural ou o quanto uma mulher já passou por terapia ou processos de autoconhecimento. Ele atravessa mulheres jovens, maduras, bem-sucedidas e conscientes — porque não está ligado apenas ao saber racional, mas à história emocional vivida e registrada no corpo.

Muitas aprenderam cedo que, para pertencer, precisavam se ajustar. Cresceram entendendo que ser aceita era mais importante do que ser quem realmente eram.

Na vida adulta, isso se traduz em sinais claros de autoanulação: dificuldade de dizer não, medo constante de desagradar, culpa ao impor limites, sensação de estar sempre em dívida emocional, abandono de interesses, amizades e desejos. A mulher continua funcionando, cuidando, entregando —desaparecendo e até adoecendo.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

O fato de reconhecer suas feridas internas não torna permissivo o abuso.

Relacionamentos assim não precisam ser violentos para serem adoecedores. O sangue não é visível; corre por dentro. Por isso, muitas mulheres demoram a reconhecer que estão em relações emocionalmente abusivas. Porque o abuso não está no grito, no tapa, está no esvaziamento progressivo interno.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de estudos em psicologia social apontam que mulheres apresentam maior incidência de sofrimento emocional associado a vínculos afetivos, especialmente ansiedade relacional e esgotamento emocional. Esses números não falam de fragilidade feminina, mas de condicionamento emocional e de uma cultura que ensinou mulheres a amar e serem aceitas, antes mesmo de aprenderem a se amar.

É por isso que trabalhar autoestima, identidade e amor-próprio não pode ser um evento pontual. Precisa ser prática contínua. Quanto mais faltou para essa mulher em sua infância, mais ela precisa se fortalecer no dia a dia para não cair na armadilha da dependência emocional, da codependência e do amor que cobra um preço alto demais.

A inteligência emocional nos ensina a fortalecer nosso eu, agir com autenticidade, reconhecer nossos valores e ativar mecanismos de proteção para reconhecermos sinais precoces de autoabandono, sustentar limites sem culpa, quebrar padrões, validar sentimentos sem se diminuir e amar sem se perder. Além, de nos lucidar para escolhas saudáveis.

Faço aqui um alerta — como educadora da autoestima e como mulher que já foi vítima de gaslighting, fiquem atentas, pois se acomodar em um relacionamento onde se dá mais do que se recebe, pode levar ao adoecimento do corpo, da mente e do espírito. Não permitam!

Viver um amor intenso é bonito. Mas é perigoso quando a autoestima não está fortalecida a ponto de o amor-próprio ser incondicional — e o amor pelo outro, totalmente condicional ao respeito, à comunicação, à reciprocidade, lealdade e à valorização e entrega mútua.

Amar não deveria custar a sua identidade. E nenhuma relação vale o preço de você deixar de ser quem é.

Se você sente que está se perdendo de si, saiba: é possível se reconstruir, se fortalecer e reaprender a amar sem se abandonar. Estou aqui para ajudar mulheres nesse caminho de reconexão, consciência e cura emocional.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Kekligian atua há mais de uma década na área de desenvolvimento humano, motivando mulheres a reconstruírem sua autoestima, promovendo inteligência emocional, comunicação assertiva e uma cultura de alta performance baseada em motivação, estratégia e propósito, de maneira a fortalecerem sua autoconfiança e se reconectarem com sua identidade para viverem com mais leveza e realização.

Demais Publicações

Você já teve medo de viajar para algum destino?

Eu já, e vou contar para você o que eu senti e como foi quando eu cheguei lá

O Carnaval Brasileiro que dita moda e história

Mais que apenas uma festa, o Carnaval é um arquivo histórico, laboratório estético e manifesto coletivo

Investigação sobre a cultura do autocuidado é tema do livro ”O culto do bem-estar”, de Rina Raphael

Obra de jornalista americana, que chega ao Brasil pela Editora Contexto, analisa os limites de um fenômeno cultural, respaldado por uma indústria que movimenta trilhões de dólares, que afeta principalmente as mulheres

Obra transdisciplinar revisa conceitos que moldam a compreensão do Eu

Beatriz Breves avança na investigação do paradigma vibracional ao demonstrar que a identidade humana se estrutura em padrões fractais

O mistério do talento entre intuição e genialidade

Uma reflexão sobre o talento humano que não se ensina, a intuição que guia nossas escolhas invisíveis e a genialidade que escapa a qualquer explicação

Na política não vence quem fala mais, vence quem se comunica melhor

Comunicação política não é improviso; é preparo técnico

O altar e o mercado

Como a engenharia da narrativa político-religiosa está moldando a nova gestão de CEOs e empresas

Os ritos de iniciação ou diria de contraindicação

Não sou contra a tradição, só contra atropelos e acelerações desnecessárias na vida de um ser humano

Road to the Universe: The Show That Will Reveal the Next 7-Star Artist on TikTok

More than just a title, achieving 7 stars is the ultimate recognition of engagement and talent

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

publ-gisele-ribeiro-reiki-16.10.25-1-1
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções