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Despertar o melhor de cada pessoa através do autoconhecimento, da autenticidade e da conexão com sua verdadeira essência

Climatério

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Quando o corpo muda, a mente sente e o mundo ainda não entende

Existe uma fase na vida da mulher que não começa de um dia para o outro.
Ela chega aos poucos, silenciosamente, até que, em algum momento, tudo parece diferente.

O nome disso é climatério.

Mas o que muitas mulheres vivem nesse período vai muito além de uma transição hormonal. É uma experiência profunda, muitas vezes solitária, marcada por uma sensação difícil de traduzir: a de não se reconhecer mais em si mesma.

E talvez a maior dor não esteja apenas nos sintomas.
Está na incompreensão.

O climatério é um processo biológico natural, caracterizado pela queda progressiva de hormônios como estrogênio e progesterona. Essa mudança no corpo não acontece de forma isolada — ela impacta diretamente o cérebro, o comportamento e as emoções.

Hoje, a ciência já demonstra que essa transição hormonal interfere em áreas como memória, foco, sono e regulação emocional. Ou seja, não é apenas o corpo que muda — a forma de sentir, pensar e reagir também se transforma.

E é exatamente isso que muitas mulheres vivem no dia a dia:

cansaço que não passa,
mente que não responde como antes,
emoções mais intensas e difíceis de regular.

E, principalmente, a percepção silenciosa de que algo mudou — sem que ninguém tenha explicado exatamente o quê.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Durante muito tempo, o climatério foi tratado apenas como uma questão física. Mas a ciência avançou — e trouxe um olhar mais completo.

A neurocientista Lisa Mosconi, PhD em Neurociência e referência mundial em saúde cerebral feminina, demonstra que a menopausa também é um processo neurológico. A queda do estrogênio impacta diretamente o funcionamento do cérebro.

Ou seja: o que muitas mulheres sentem não é exagero, nem falta de controle — é biologia.

E é nesse ponto que surge um dos maiores medos: a reposição hormonal.

Por anos, ela foi associada a riscos elevados, principalmente após a divulgação inicial do estudo Women’s Health Initiative, em 2002.

Mas a ciência evoluiu — e a interpretação desses dados também.

Hoje, quando bem indicada e acompanhada, a terapia hormonal pode trazer benefícios importantes:

  • redução das ondas de calor e suores noturnos
  • melhora do sono
  • maior estabilidade emocional
  • melhora da saúde íntima e da libido
  • preservação da saúde óssea
  • melhora da qualidade de vida

Isso não significa que seja indicada para todas as mulheres.
Mas significa que o medo generalizado precisa ser revisto à luz das evidências atuais.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Ainda assim, uma das experiências mais marcantes do climatério é a sensação de estar vivendo algo profundamente impactante… completamente sozinha.

A mulher sente, mas não consegue traduzir o que está vivendo.
E quando tenta explicar, muitas vezes não se sente legitimada naquilo que está sentindo.

Antes mesmo de compreender que pode estar no climatério, ela já se cobrou.
Já se criticou. Já questionou a própria estabilidade emocional.

E, em muitos casos, também foi cobrada e mal interpretada.

A falta de informação não apenas confunde — ela fere.

Com meus 55 anos tenho vivido, de forma muito concreta, as fases do climatério.

Esse processo me atravessa — especialmente quando se encontra com outros momentos desafiadores da vida.

Fica mais difícil ter clareza.
Mais difícil ter equilíbrio.
Mais difícil ter organização.
Mais difícil sustentar quem você sempre foi.
E mais difícil ser compreendida.

No meu caso, o acolhimento não veio de imediato no consultório.
Veio no colo de amigas. Na troca. Na escuta.

Foi nesse espaço que comecei a entender o que estava acontecendo comigo.

E hoje eu consigo dizer com muita honestidade:
eu percorri caminhos mais difíceis do que precisava.

Porque, na minha mente, eu havia construído algo muito maior do que realmente era.

Na prática, o caminho poderia ter sido mais simples:
orientação médica adequada, atividade física, informação clara.

Não é o fim do mundo.
Mas, sem informação, pode parecer e nos engolir.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Por que ainda não estamos preparando as mulheres para o climatério?

A mulher aprende desde cedo sobre menstruação.
Depois, sobre fertilidade, maternidade, escolhas.

Mas a orientação sobre o climatério chega tarde.

E isso revela uma lacuna importante: não estamos educando para o ciclo completo da vida feminina.

Hoje já existem evidências de que hábitos ao longo da vida — como alimentação, atividade física, gestão do estresse e saúde emocional — influenciam diretamente na forma como o climatério será vivido.

Ou seja: há espaço para preparação e consciência.

Falar sobre climatério com mulheres mais jovens não é antecipar um problema.
É oferecer autonomia.

O climatério é uma travessia que conduz a um novo lugar interno — um lugar de mais maturidade, mais consciência, mais protagonismo e, principalmente, de uma relação mais respeitosa consigo mesma.

É nesse processo que muitas mulheres aprendem a se ouvir, a se priorizar e a se amar com mais verdade.

Cada mulher vive o climatério de forma única.

Por isso, buscar orientação e acompanhamento médico é essencial.
Esse é um processo individual, que exige cuidado, escuta e decisões personalizadas.

E talvez a pergunta mais importante não seja “por que ninguém falou sobre isso antes?”, mas sim, o que você pode começar a fazer hoje para viver essa fase com mais consciência, informação e acolhimento?

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Kekligian atua há mais de uma década na área de desenvolvimento humano, motivando mulheres a reconstruírem sua autoestima, promovendo inteligência emocional, comunicação assertiva e uma cultura de alta performance baseada em motivação, estratégia e propósito, de maneira a fortalecerem sua autoconfiança e se reconectarem com sua identidade para viverem com mais leveza e realização.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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