Como conhecer o outro, tão diferente de mim?

Diversidade Dolce

Caroline Vargas Barbosa

Opte por aprender e escutar – nunca por ignorar! Profissionais dinâmicos e analíticos, desenvolvem características de liderança, resiliência, mediação e fácil adaptabilidade nas situações diárias do ambiente laboral, porque, percebem as pluralidades e diferenças como potencialidade de ações.

Conhecer o outro tão diferente de mim é compreendê-lo em todas as suas subjetividades.  Para isso, basta escutar o que o outro verbaliza. A realidade narrada por ele não deve ser julgada, diminuída, menosprezada, invalidada ou silenciada.  Isso porque, como mecanismo de evolução do ser humano, temos o aprendizado pelo e com o outro, despertando novas formas de perceber o mundo. Podemos, enquanto humanidade, aprender a partir da experiência dos outros. Aprendemos quando escutamos os mais velhos, quando nos narram experiências, como vivemos. 

Isso é respeito. Isso é ver e enxergar com pluralidade e respeito. Isso é desenvolver uma habilidade dotada de importância na atualidade: a adaptabilidade e o desenvolvimento de aptidões em equipes como respostas criativas as demandas diárias do ambiente laboral. Tal aptidão se desenvolve com a prática real, de perceber histórias com os sujeitos que as narram.

Respeito é a premissa

É desrespeitoso quando alguém pretende impor o que percebe como certo, correto, justo, adequado, melhor, aceitável. É anular a existência do outro. É restringir a autonomia do outro. No ambiente laboral isso é mais perigoso ainda – e por isso muito observado nas contratações. Dentro da empresa há uma responsabilidade interna e externa que vinculam a própria noção de função social das empresas.

Gestores ou equipes que anulem pessoas com perseguições, silenciamento, cobranças excessivas, piadas ou chacotas, estão a todo momento representando a empresa. E situações assim, acarretam demandas judiciais por assédio moral ou doenças trabalhistas incapacitantes como bournout, por exemplo.

Por isso, empresas tomam cuidado na contratação de pessoas não abertas às pluralidades. Pessoas que condicionam características e negam diferentes formas de ver e executar ações no mundo. Esse perfil tendencia a impor padrões, verdades e narrativas, o que em pouco tempo causa rupturas institucionais no ambiente laboral, alta rotatividade de empregados e demandas judiciais trabalhistas por desencadeamento das ações de silenciamento de um colega ou superior, dentro no ambiente de trabalho.

O perfil atual de contratação pelas grandes corporações, o que determina um mercado, é justamente o de pessoas com boas habilidades sociais de relação no ambiente laboral para desenvolvimento e retenção das pessoas em suas capacidades e formas de criatividade, valorizadas e a serem desenvolvidas nas atividades da empresa.

É um desenvolvimento interpessoal a partir de enxergar o outro, diferente de mim

As relações de trabalho são relações pessoais. Relações entre pessoas. Lidar com pessoas requer que se seja humano e se desenvolva sempre um olhar a protagonizar o humano, a pessoa, o sujeito, o trabalhador em diferentes aspectos e capacidades. Essa é uma forte tendência de busca de profissionais no mercado de trabalho, justamente, porque não se aprende somente em livros. Ela se desenvolve na prática do indivíduo, e por consequência, como qualidade da pessoa-empregado. A capacidade sensível de perceber holisticamente as pessoas é racionalizada como mecanismo de otimização das relações laborais.

Vamos para um exemplo. Agora pense que algumas pessoas com deficiências, visíveis ou invisíveis, narram seu cotidiano. Nele elas informam a falta de acessibilidade em um restaurante ou parque. Elas narram episódios de discriminação que sofreram no trabalho. Elas compartilham frases que doem, oportunidades perdidas e quantas vezes foram ou tiveram que se silenciar. Como as condições do seu ser são de análise prioritária, antes mesmo de perceber o ser humano. Elas verbalizam como o mundo as enxergam. Ou como o mundo as julgam, como vidas indignas ou como um peso para o Estado ou empresa – ainda reproduzem discursos similar ao plano T-4 de extermínio de pessoas com deficiência, durante a II Grande Guerra.

Você escolhe entre escutar ou ignorar. Você tem a autonomia de observar a experiência do outro e extrair um aprendizado que elaborará novas informações e conhecimentos, a partir do diálogo, em que mais se escuta, compreende e naturaliza condições e diferentes percepções humanas.

Uma empresa preocupada com a inclusão não quer somente cumprir a porcentagem legal de pessoas com deficiência. Uma empresa, com uma política de inclusão, observa as diferenças do desenvolvimento de capacidades e habilidades de todos, protagoniza seus trabalhadores e oportuniza o empoderamento de ocupar reuniões e espaços internos, como iguais, e não por cota, pena ou altruísmo. Uma empresa, com diversidade e inclusão, desenvolve capacitações e um ambiente propício para que os seus trabalhadores possam aprender com quem divide a jornada ou se propõem a narrar (suas) realidades diversas. A gentileza e a humildade de olhar o outro te levará ao sucesso, pois, das informações que soube apreender, você possibilitou a construção de pontes, de laços e de avanços – sociais e laborais. 

Caroline Vargas Barbosa é advogada, docente universitária e pesquisadora. Doutorando em Direito pela UnB, Mestra em Direito Agrário pela UFG e especialista em Processo Civil pela UFSC. Atua em pesquisas e assessoramentos de diversidade, inclusão e ESG.

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